quarta-feira, 10 de julho de 2013

Relatório de Atividades (1)

Zênia de Leon, Luis Borges, Shaiane Bandeira e Ângela Sapper

12º SALÃO DO LIVRO DO AUTOR PELOTENSE
No dia 22 de maio, o ALC participou do Painel Literário, atividade do 12º Salão do Livro do Autor Pelotense, na Academia Pelotense de Letras onde a professora Ângela Sapper falou sobre nosso grande vate pelotense, Francisco Lobo da Costa e Shaiane Bandeira cantou os versos lobianos em música de sua autoria, acompanhada de seu harmonioso violão . O evento estava magnifico!


 
 
No último sábado (dia 25 de maio), o grupo Amigos de Lobo de Costa, representado por Cândida Rosa Ferraz Fonseca, Marcos Ananias Godói, Sandra Roberta Moreira, Fernanda Azevedo de Souza, Shaiane Bandeira e Ângela Treptow Sapper, esteve na E. E. FELIX DA CUNHA para divulgar a vida e obra de FRANCISCO LOBO DA COSTA. Na ocasião, para um expressivo grupo de alunos e professores, foi contada a vida de Lobo, cantado um de seus poemas e feitas leituras dramáticas de sua obra . O evento estava ótimo! Agradecemos o convite da direção da E. E. FELIX DA CUNHA e a parabenizamos por propiciar preciosos momentos literários!

 
 
 
 


Romance de Lobo da Costa é atração do projeto Fenadoce Cultural
Quem ainda não conhece a obra de Lobo da Costa terá uma excelente oportunidade de ver o romance Espinhos D’Alma dramatizado na Fenadoce. Uma das obras de maior fôlego do poeta será encenada pela Confraria Literária Amigos de Lobo da Costa, formada principalmente por acadêmicos e egressos dos cursos de Pedagogia e Letras da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), nesta sexta-feira (14), às 21h15min, no auditório da Fenadoce.
O romance Espinhos D’Alma foi escrito em 1872 e reflete os costumes da sociedade pelotense desta época. A história mostra os desencontros amorosos de dois amigos, Ângelo e Alberto. O desenrolar do romance conta como uma série de intrigas e desencontros separou Ângelo de sua amada, Cândida. Alberto, o outro protagonista, também sofre por amor quando viaja para Montevidéu e enamora-se por uma uruguaia pretendida para outra pessoa.
Para se apresentar na Feira, o grupo de acadêmicos da UCPel vem ensaiando semanalmente desde o mês de maio. A encenação da peça de teatro integra uma série de atividades que estão sendo realizadas pela UCPel, Prefeitura de Pelotas e Confraria Literária com o objetivo de divulgar a obra do importante poeta do romantismo gaúcho.
Conforme a professora da UCPel, Ângela Sapper, o romance, além de mostrar como eram os costumes da Pelotas de antigamente, ainda traz dados históricos e geográficos da cidade. “Onde hoje fica localizada a Avenida Saldanha Marinho passava o canal Santa Bárbara, que era frequentado pelas famílias abastadas da cidade”, conta.
Os ingressos para a Fenadoce 2013 custam R$ 6,00 por pessoa e R$ 6,00 por veículo (estacionamento). Crianças até seis anos não pagam ingresso. O horário de funcionamento da feira de sexta a domingo é das 10h às 23h. A entrada no auditório onde será encenada a peça é gratuita.
 
 
 
 

O Sarau "Loas às Letras Pelotenses" realizado dia, 04 de julho, em homenagem ao 201º aniversário de Pelotas teve a participação da Confraria Literária Amigos de Lobo da Costa. O professor Carlos Eugênio Costa da Silva declamou o poema Lá...(primeiro poema de cunho regionalista do Rio Grande do Sul composto em São Paulo no ano de 1874 por Francisco Lobo da Costa).
 
Carlos Eugênio no Sarau "Loas às Letras Pelotenses"
 
 
 
 
 
Prêmio Trezentas Onças
Mais uma vez a Confraria Literária Amigos de Lobo da Costa esteve representada no meio cultural de nossa cidade. Ontem, dia 05 de julho, no Instituto João Simões Lopes Neto, realizou-se a entrega do prêmio "trezentas onças" a destacados colaboradores da citada associação. Na ocasião, os professores Ângela Treptow Sapper, Carlos Eugênio Costa e Émile Gularte Cardoso e marcaram presença divulgando nossa Confraria.
 
 




Nosso vídeo no You Tube




 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Projeto Francisco Lobo da Costa - 160 anos


Projeto

FRANCISCO LOBO DA COSTA  – UM BARDO ENTRE NÓS – 160 ANOS
 

 
Objetivos

    
O seguinte projeto tem por objetivo, no momento em que se comemora o centésimo sexagésimo aniversário de nascimento do bardo pelotense Francisco Lobo da Costa, proporcionar um maior conhecimento e divulgação de sua vida e obra literária, buscando, através de sua poesia e prosa, incentivar a criatividade, o amor pátrio, a valorização de nosso município e a afeição à Literatura, bem como a inserção cultural por meio da participação em atividades programadas.
 
 

Justificativa

     
       Nascido na cidade de Pelotas no dia 12 de julho de 1853, Francisco Lobo da Costa destacou-se como um dos mais importantes literatos gaúchos, sendo considerado um dos principais poetas do século XIX. Sua lira afinada ressoou versos intensos que cantavam sua terra, seus amores e a defesa dos menos favorecidos através do Condoreirismo.  Lobo da Costa trazia em sua obra uma universalidade temática que o fez ultrapassar as fronteiras da literatura. Seu poema “Aquele Ranchinho” serviu de argumento para um dos primeiros filmes de enredo rodados no Rio Grande do Sul. O” Ranchinho do Sertão”, título do filme, teria sido o primeiro celuloide dramático produzido na América do Sul e a primeira fita nacional com o enredo de um poeta, pois nenhum dos filmes brasileiros feitos anteriormente apresentou argumento da autoria de um homem de letras. A data de apresentação do filme pela primeira vez, dia 27 de março, é celebrada por lei como “Dia do Cinema Gaúcho”.  Apesar da vida atribulada, tinha a fluência poética e a verve romântica que o destacou como o mais popular bardo do Rio Grande do Sul, imortalizado nas diversas homenagens que lhe foram prestadas ao batizarem, com seu nome, ruas, escolas, edifícios, comendas, grupos teatrais e bibliotecas em todo o Estado gaúcho. O ano de 2013 marca os 160 anos de nascimento de nosso poeta maior, por isso, através deste projeto, busca-se contemporanizar seus feitos literários, levando  â comunidade estudantil o conhecimento, apreciação e desenvolvimento de sua expressão literária e valorização local.
 


Público Alvo

     Alunos e Professores da Rede Municipal, Estadual e Federal de Ensino; Entidades Culturais (Clubes, Associações, CTGs) e comunidade em geral.
 
 


 Metodologia

 
- Dramatização da biografia e da obra de Francisco Lobo da Costa;
- Recital (Declamação, Leitura e Interpretação de Obras Lobianas);
- LUCUBRAÇÕES (Exposição de fotos, poemas, curiosidades e livros através de banners, cartazes, varal poético);
- Atividades Literárias:
-Ilustração Poética (Educação Infantil até o 5º ano);
-Oficina de Criação Literária (a partir do 6º ano até o Ensino Médio);
- Saraus;
- Hora do Conto;
-Realização de Concursos Literários e de Ilustrações com premiação e exposição dos trabalhos dos participantes;
- Seminário Lobo da Costa – 160 anos.


Cronograma

 
Março – Lançamento e divulgação do projeto; agendamento de Escolas com a SMED
Abril – Início das atividades nas escolas e na comunidade
Maio –  Encenações da vida e obra lobiana / Saraus/ Hora do Conto
Junho – Seminário Lobo da Costa (dias 17, 18 e 19  no Salão Nobre da Biblioteca Pública Pelotense; Sarau no dia 20  no Salão Nobre da Biblioteca Pública Pelotense;  Hora do Conto
Julho – Saraus/ Hora do Conto;
Agosto – Lançamento do Concurso Literário e de Ilustrações, Saraus, Conto: a vida e obra lobiana;;
Setembro – Encenações da vida e obra lobiana; Hora do Conto;
Outubro – Saraus/ Hora do Conto;
Novembro – Resultado e premiação do Concurso Literário e de Ilustrações com exposição dos trabalhos, Conto: a vida e obra lobiana / Saraus/ Hora do Conto;
Dezembro-  Conto: a vida e obra lobiana, Encenações da vida e obra lobiana, Saraus. Declamações.
 


Bibliografia

 
 
BERNARDI, Mansueto. Lobo da Costa. As Melhores Poesias (Auras do Sul – Flores do Campo – Dispersas). Porto Alegre: Livraria do Globo, 1927.
 
CLEMENTE  Elvo. Aspectos da Vida e Obra de Lobo da Costa. Porto Alegre: Livraria Sellbach, 1953;
 
COSTA, Francisco Lobo da. Auras do Sul. Porto Alegre: Martin Livreiro Editor, 1981;
 
FAGUNDES , Morivalde Calvet. Lobo da Costa, Ascensão e Declínio de um Poeta. Porto Alegre: Livraria Sulibna, 1954;
 
SAPPER, Ângela Treptow; ZANOTELLI, Jandir João (org.). Lobo da Costa,  Obra Completa. Pelotas: EDUCAT, 2003
 
 
 


Apoiadores

 
Estância da Poesia Crioula – Porto Alegre
Universidade Católica de Pelotas
Prefeitura Municipal de Pelotas
Academia Sul- Brasileira de Letras
SMED
IF-Sul
Biblioteca Pública Pelotense
Academia Pelotense de Letras

 
Coordenação

Nome

 

Titulação

Instituição de Origem

 

Ângela Treptow Sapper

 

             Doutora em Teoria Literária

  Universidade Católica 

de Pelotas

email

angelatreptow@terra.com.br

 

 

Carlos Eugênio Costa da Silva

Licenciatura em Letras

Prefeitura Municipal de Pelotas

Email

c.eugeniocosta@gmail.com

 

 

Magliane De Marco

 

Universidade Católica de Pelotas

Email

maglianedemarco@gmail.com

 

 
 




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Material para pesquisa

- A Sobrevivência Literária de Francisco Lobo da Costa - Ângela Treptow Sapper
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fale/article/viewFile/2409/1883

- Folhas do Caminho - Irmão Elvo Clemente
http://www.pucrs.br/edipucrs/digitalizacao/irmaosmaristas/folhas.pdf

- Lobo da Costa e o Cinema - Uma hipótese a trabalhar - Ivonete Pinto, Renato Cabral
 http://orson.ufpel.edu.br/content/01/artigos/profundidade_de_campo/182-188ok.pdf

Seminário Lobo da Costa - 160 anos


                                                    Seminário Lobo da Costa - 160 anos

        Intensas atividades foram realizadas dias 17, 18 e 19 de junho em comemoração ao 160º aniversário do bardo pelotense Francisco Lobo da Costa. Na oportunidade, palestrantes apresentaram seus trabalhos sobre o tema, observando a seguinte programação:
Dia 17 de junho – segunda-feira
Jandir Zanotelli (ASBL)
Ângela Treptow Sapper (UCPel - ASBL – IF-SUL)
Adão Fernando Monquelat (Pesquisador)

Dia 18 de junho – terça-feira
Gilnei Oleiro Corrêa (IF-SUL)
Jorge Moraes (ASBL – APelL)
Nelson Granada (C.E. Lobo da Costa)
Carlos Eugênio Costa da Silva (EPC)

Dia 19 de junho – quarta-feira
Neusa Marilu Duarte (ASBL)
Zênia de Leon (APelL)
Roberto Medina (UNIRITTER)

 
                 Abertura oficial com o pronunciamento do Prefeito Municipal Eduardo Leite



Saudação aos participantes proferida pela Professora Doutora Ângela Treptow Sapper, representando a Confraria Literária Amigos de Lobo da Costa
 
 
 

 
Palestrantes - Nelson Granada, Jorge Moraes, Gilnei Oleiro e Carlos Eugênio Costa da Silva, apresentados pela mediadora Ângela Sapper
 
 
 
 
Palestrantes - Marilu Duarte,  Zênia de Leon e Roberto Medina


 Apresentações artísticas e público participante
 


 
 
Nosso agradecimento a todos os colaboradores que não mediram esforços para o sucesso do Seminário Lobo da Costa - 160 anos.
 


 

Biografia de Francisco Lobo da Costa




                                            O Poeta Francisco Lobo da Costa

                    Nascido na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, no dia 12 de julho de 1853, Francisco Lobo da Costa é considerado um dos principais escritores do século XIX, conforme atestam autores e críticos. Seus genitores eram o catarinense Antônio Cardoso da Costa , e Jacinta Júlia Lobo da Costa, baiana, que por ocasião do término da Revolução Farroupilha transferiram-se para Pelotas e uniram-se em sociedade com um irmão abrindo um estabelecimento comercial, conforme nos relata a Professora Ângela Sapper em seu livro – Lobo da Costa – Obra Completa. Mais adiante, com a guerra do Paraguai, um clima de civismo envolve a Princesa do Sul e seu pai inclui como instrutor da Guarda Nacional influenciando o pequeno Francisco que apesar de seus doze anos de idade entusiasma-se com a causa bélica enaltecendo o sucesso da Armada Nacional em versos publicados no jornal Eco do Sul, da cidade de Rio Grande.
                    Com os negócios da família não indo bem, Lobo da Costa emprega-se em um cartório e mais adiante numa agência de telégrafo onde pela falta de movimento em sua seção punha-se a ler e escrever versos que publicava na imprensa. Contemporâneo de Fernando Osório, Aquiles Porto Alegre e Bernardo Taveira Junior, teve contato com os mesmos através do jornal literário A Arcádia onde atuavam como colaboradores. Em 1969 passou a dedicar-se exclusivamente as letras e seguindo sua vocação fundou o jornal Castália que teve pouca duração.     
                    Comungando de ideais abolicionistas e republicano estabeleceu com os jovens políticos da época, entre eles Fernando Osório, duradoura amizade, o que proporcionou-lhe freqüentar a sociedade e encantá-la com seus versos e recitações. Nesta época conheceu Saturnino Epaminondas de Arruda com quem atou laços de amizade e passou a freqüentar sua residência onde se reunia a sociedade elegante nos finais de semana.  Lá, encontrava-se com Saturnina Elvira, irmã do amigo, por quem enamorou-se e sendo correspondido transformou-a em sua musa inspiradora. Em 1872 transferiu-se para Rio Grande e no jornal Eco do Sul onde trabalhava, imprimiu e editou o livro de poemas Rosas Pálidas e o romance Espinhos d’alma, além disso escreveu para o teatro e foi colaborador de diversos jornais até conhecer Múcio Teixeira com quem fez amizade e retornou a Pelotas. No mesmo ano, a convite de amigos visitou e hospedou-se na Estância de Molhos, no Uruguai, onde certamente encontrou com Elvira. Por sentir que carecia de uma formação cultural mais consistente para ascender socialmente mudou-se para São Paulo, onde ficou um ano, a fim de tentar a faculdade de Direito. Durante este período publicou o livro Lucubrações, por intermédio do poeta gaúcho Carlos Ferreira, residente em Campinas. Não logrando êxito no curso preparatório para a faculdade e tendo sua saúde abalada devido a sua vida desregrada na companhia de outros estudantes, retorna a Pelotas passando antes por Santa Catarina onde recuperou-se de sua enfermidade na casa de seu tio José Cardoso Costa. Sua chegada a Desterro (hoje Florianópolis), já reconhecido como poeta, foi homenageada pela Associação Musical Trajano e, agradecido, publicou em O Conservador sua emoção. (foi ainda O Conservador que registrou através de publicações de poemas e textos sua estada de alguns meses em Santa Catarina).
                    Já recuperado da enfermidade, adia sua volta a Pelotas para ocupar temporariamente cargo no gabinete do presidente da Província e após, segue viagem.   Com sua chegada a Pelotas reinicia suas diligências na imprensa e mantêm sua produção literária  participando regularmente de atividades culturais. Em 1875 publica um de seus mais notáveis poemas: Aquele Ranchinho. Dedica-o ao amigo Bernardo Taveira Junior a quem chama de “inspirado poeta rio-grandense”. Ao longo do ano seguinte trabalhou no Jornal do Comércio, de Pelotas, atuou em O Despertador e fundou A Lanterna e O Trovador, ambos de vida efêmera.
                    Embora sua atividade artística produtivamente se desenvolvia, sua saúde arruinava-se, pois há algum tempo sua entrega ao alcoolismo destruía qualquer perspectiva de um futuro saudável e de uma vida efetiva satisfatória. Seu vício proporcionou o rompimento definitivo com sua amada Elvira, filha de família da alta sociedade e decretou grandes reflexos em sua temática que agora figurava solidão e tristeza oriundas de um poeta descrente e revoltado, modelo vivo do poeta romântico em conflito com a sociedade e consigo mesmo. Exceto a poesia nada o prendia por muito tempo e nos últimos doze anos de vida mudou frequentemente de cidade e emprego.
                    Mas, em meio a infortúnios ainda havia lugar para alegrias e uma delas foi proporcionada pelos cadetes da Escola Militar que fundaram a sociedade Fênix Literária e, conforme relata a autora, “elegeram para sócios honorários da novel instituição as maiores sumidades das Letras Nacionais”. Em Pelotas, os agraciados foram Bernardo Taveira Junior e Francisco Lobo da Costa. Era, talvez, o primeiro título que outorgavam-lhe em vida; e, provavelmente, o último. O pensamento da morte leva-o a escrever Fantasias de um morto, em prosa, revelando-se nesse gênero, tão seguro de si quanto no terreno da rima. Em setembro de 1879 Lobo da Costa, em ato imprevisto, casa-se em Jaguarão com Carolina Augusta Carnal, jovem de 17 anos, natural de Rio Grande. Dois meses depois Lobo se encontra muito doente e em estado de penúria. Seu casamento do qual nasceu à filha Amanda resultava num grande infortúnio. Mesmo assim, sua poesia continuava a jorrar tendo registros em páginas literárias como O Cabrion e O Lábaro. Já separado da esposa passa algum tempo em Arroio Grande, Porto Alegre, Dom Pedrito, Bagé e finalmente retorna a Pelotas. Muito doente e sem poder trabalhar é recolhido à Santa Casa para tratar-se e a partir de 1886 não mais peregrinou, fixando-se em Pelotas dominado pelo vício do álcool e percorrendo casas de amigos e tabernas buscando uma bebida. Em 1887 foi hospitalizado várias vezes preocupando a sociedade que mobilizou-se para ajudá-lo. O Grêmio dos Lunáticos, associação de jovens intelectuais elaborou o opúsculo Charitas cuja venda reverteu em prol do poeta.
                    Mesmo no hospital, Lobo continuava inspirado na produção de versos e, escreve a autora, recebia diversos amigos e simpatizantes que vinham prestar justas homenagens ao mais popular dos poetas gaúchos. Permaneceu no hospital entre fins de 1887 até a metade de 1888 quando na manhã de 18 de junho ganhou a rua e saiu sem destino certo com o restante da quantia conseguida com a publicação de Charitas, dirigindo-se a taberna mais próxima para beber e, certamente o fez. Durante a tarde foi visto nas imediações da Santa Casa e reconhecido por algumas pessoas que avisaram o Delegado e seus familiares, foi procurado e não mais encontrado até o trágico acontecimento. O frio e as intempéries da noite, cumulados com o despojo de Francisco por vândalos que o assaltaram, selaram seu destino.
                    Na manhã seguinte um carroceiro encontrou seu corpo rijo e inerte, caído numa sarjeta próximo a rua Santa Cruz. Após seu desencarne, ainda foram publicados Auras do Sul, Flores do Campo e Dispersas, obras compiladas por Francisco de Paula Pires que dedicou-se a este resgate literário até 1915, ano em que faleceu.
                    Conforme relata Mozart Victor Russomano em seu artigo A Obra de Lobo da Costa, publicado na Revista Província de São Pedro em 1952, Lobo da Costa foi o primeiro poeta verdadeiramente grande que pôde ser verdadeiramente popular. Tal afirmação traz a corroboração da pesquisa feita pela Professora Doutora Ângela Treptow Sapper, que datando de abril de 2.000 sob o título – Lobo da Costa e sua Sobrevivência Literária – demonstra que ainda hoje sua verve popular ainda reside no conhecimento pelotense e gaúcho. Para Alcides Maya, só Castro Alves o superou no momento condoreiro.
 
(SAPPER, Ângela Treptow; ZANOTELLI, Jandir João (org.) – Lobo da Costa Obra Completa – Pelotas:  EDUCAT, 2003)